NATUREZA

ALDEIAS DIGITAIS – DEBATES SOBRE AS POLÍTICAS DE INCLUSÃO DIGITAL INDÍGENA

aldeia

Durante os três dias do 1º Simpósio Indígena Sobre Usos da Internet, os debates aconteceram na forma de rodas de conversas, veiculados ao vivo pela internet.¹A partir de apresentações em que os participantes expuseram a situação dos projetos de inclusão digital em sua comunidade ou região, emergiram diversos temas que serviram de base para a articulação dos debates. Entre eles: a questão do patrimônio na internet e das contradições entre as necessidades de divulgar e de preservar os conhecimentos; as formas de controle exercido pela comunidade sobre o acesso e a utilização da internet; a relação da internet com a vida comunitária; e as dificuldades encontradas pelos grupos na implantação, manutenção e utilização da internet. Surgiu dessas falas também a proposta de criação de uma Rede das Redes entre todos os povos indígenas, para prolongar de forma permanente, no ambiente virtual, o intercâmbio propiciado pelo Simpósio.

Do conjunto das apresentações ficou claro que, nas várias regiões do país, a apropriação da internet sob suas formas mais diversas está intimamente ligada ao protagonismo dos grupos.

Da região do Xingu (PIX), trouxeram testemunhos Kumaré Ikpeng, representando a Atix, Kanaré Ikpeng, realizador indígena e responsável pela Casa de Cultura da aldeia, e Takumã Kuikuro, também realizador indígena, ambos formados pela ONG Vídeo nas Aldeias.

Kumaré Ikpeng relatou que, quando a internet chegou ao Posto Pavuru, no Parque Indígena do Xingu, apenas médicos e enfermeiras que prestavam serviço para a Funasa tinham acesso à rede. Mais tarde, uma iniciativa da Secretaria da Educação (MT) trouxe uma conexão à escola, ampliando o acesso. Segundo Kumaré, o uso prioritário da internet entre os Ikpeng é na educação, possibilitando a realização de pesquisas e evitando que os jovens devam sair das comunidades para estudar. Em julho de 2011, os Ikpeng lançaram o seu próprio site.²Eles almejam também usar a internet para fiscalizar o PIX territorialmente, em uma parceria com o Google – como já fazem os Suruí Paiter no estado de Roraima. Apesar disso, dificuldades técnicas e falta de capacitação, assim como vetos das lideranças mais velhas restringem fortemente o uso da internet pela comunidade. Da mesma maneira, Takumã Kuikuro, representante do Alto Xingu, que participa do Coletivo Kuikuro de Cinema e criou o blog do Coletivo,³ contou que mesmo entre os jovens, a apropriação da internet é marcada por dificuldades: “Eu nunca fiz curso de informática para mexer com internet, divulgar cultura”. Sua fala destacou o fato de que as políticas de inclusão chegam até a aldeia, mas não são continuadas, revelando problemas de sustentabilidade. “O Gesac instalou [os equipamentos] e depois abandonou. Não tem recurso para arrumar esse PC. Quebrou todos os equipamentos. Não tem mais. Nós mesmos temos que comprar PC”. Takumã Kuikuro é dos poucos na aldeia que possui um computador. Ele começou a usar a internet em 2009, quando a conexão foi instalada por meio de uma parceria com o Ministério das Comunicações.

O Gesac, o programa de inclusão digital do Ministério das Comunicações, envolve parcerias diretas com treze ministérios, alguns dos quais têm seus próprios programas de inclusão digital, como o Ministério da Cultura e o Ministério do Planejamento, gerando outras parcerias. Para fora do governo, as parcerias tipicamente se prolongam para a execução dos projetos, geralmente com o setor privado atuando como patrocinador, o poder público estadual ou municipal colaborando com o fornecimento de uma contrapartida em espaços ou serviços, e o terceiro setor, as entidades não governamentais, como autoras ou executantes dos projetos junto às comunidades locais.

Lucas Benite, Guarani Mbya vindo do Angra dos Reis (RJ), é o coordenador de um projeto de audiovisual em sua aldeia e destacou o papel dessas tecnologias para que os índios possam estudar: “Hoje em dia a gente não está dependendo dos brancos”. Mas reiterou as preocupações de Takumã Kuikuro com a sustentabilidade da tecnologia. Nesse caso específico, os computadores foram doados pela ONG CDI. Lucas Benite conta que o equipamento ficou abandonado durante sete anos, porque ninguém sabia como mexer nele. Hoje, o grupo está recebendo alguma formação em manutenção de computadores do próprio CDI, mas ainda não são autônomos e não há recursos para fazer manutenção. Para consolidar o uso da internet na aldeia, existe um projeto em colaboração com outras cinco aldeias da região para a implantação de um Ponto de Cultura – telecentro multimídia financiado pelo Ministério da Cultura – que Lucas Benite espera realizar ainda em 2011.

Vindo do povoado de Iauaretê, no município de São Gabriel da Cachoeira (AM), Elizeu Nascimento Pedrosa, do povo Piratapuya, relatou que a internet foi levada para a região do rio Uaupés pela Fundação Bradesco, que criou um Centro de Inclusão Digital, inaugurado em 13 de junho de 2008. Entretanto, devido às dificuldades de transporte e aos custos, a internet somente foi instalada um ano e meio depois, no final de 2009. Atualmente, o Centro já permite que estudantes acessem à rede e façam pesquisas, ainda que faltem acessórios como fones de ouvido e webcams para realizar o projeto de escola virtual. Segundo ele, o acesso à rede fornece também entretenimento e comunicação com parentes de regiões distantes, tendo em vista que o telefone instalado pela operadora Oi só funciona de maneira muito intermitente. A internet, ainda que seja muito lenta, tem servido também para viabilizar a atuação da associação indígena, permitindo manter contato com financiadores e parceiros, além de articular políticas regionais com outras associações.

As dificuldades relatadas por Elizeu Pedrosa têm a ver com a precariedade dos equipamentos e a falta de recursos para o pagamento de monitores. A antena original fornecida pela Brasil Telecom funcionou poucos meses e acabou sendo trocada por uma antiga antena do Gesac que estava desativada e pertencia aos militares. Além disso, as dificuldades do transporte fluvial pelo rio Uaupés danifica os computadores. Até pouco tempo atrás havia apenas dois computadores funcionando: “Só em 2010 vieram novos PCs, por via fluvial, no barco. Esses equipamentos são tão frágeis. Quando enviam seis equipamentos, só chegamm funcionando três ou dois”.

fonte: blog Espalha semente

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um pensamento sobre “NATUREZA

  1. Yes, but the waste burnt in UK plants is controversial because it is difficult to burn ‘clean’, and because there is a high level of plastic in the waste, the smoke / gas / exhaust can be toxic. Not as straightforward as the engineer suggests.

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